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A linha do tempo da treta entre Drake e Pusha T

By 31 de maio de 2018 No Comments

A gasolina foi jogada e uma das tretas mais pertinentes do cenário nos últimos anos está de volta. O canadense Drake versus o rapper de Virginia, Pusha T, estão novamente em um embate que já causou duas diss tracks e uma vítima: o rapper canadense.

Em “Infrared”, música do seu terceiro disco DAYTONA, Pusha T revigora as acusações de que Drake utiliza ghostwriters para ajudá-lo a escrever suas canções. Tal técnica é extremamente mal falada dentro do cenário do rap, onde rappers costumam ser reverenciados por suas técnicas de escrita e rimas.

A resposta de Drake foi em “Duppy Freestyle” no mesmo dia que o disco DAYTONA foi lançado, sendo uma rápida represália do rapper canadense para seu principal adversário e ex-ídolo (quando adolescente, Drake comprou um microfone assinado por Pusha T no eBay).

Em uma das linhas de “Duppy Freestyle”, Drake utilizou o nome da noiva de Pusha T, o que foi o suficiente para o presidente da G.O.O.D. Music responder de maneira avassaladora o rapper canadense, citando problemas de casamento dos seus pais, contratos assinados com a Cash Money, a doença do produtor 40 Shebib e o que mais chocou os fãs, o filho não assumido de Drake com a atriz pornô Sophie Brussaux.

Essa situação é só mais um capítulo recente da grande treta entre Pusha T e Drake. Mas esse conflito não é de hoje e nem começou com Drake. O Raplogia hoje traz uma linha do tempo de como e quando essa treta começou.

Quando tudo eram flores: Clipse e Cash Money em melhores momentos

Se voltarmos no começo da década passada, podemos notar que a dupla formada por Pusha T e seu irmão, Malice, tinha uma boa relação com a Cash Money Records. Em 2002, ambos participaram da música “What Happened to That Boy”, hit de Birdman no seu disco homônimo que teve um vídeo clássico gravado nos conjuntos habitacionais de Magnolia, onde Birdman cresceu.

No mesmo ano, o Clipse convidou Lil’ Wayne e Birdman para gravarem o remix da clássica música “Grindin’”, a gravação esteve presente no disco Lord Willin’, álbum de estreia da dupla produzido inteiramente pelos Neptunes.

All Bape Everything: Lil’ Wayne começa a usar roupas da BAPE

No segundo volume da série de discos Tha Carter de Lil’ Wayne, o rapper de Nova Orleans mudou extremamente o seu estilo. Flows e rimas eram extremamente inspirados em artistas da Costa Leste dos Estados Unidos. Rimas sobre drogas, assunto típico da dupla Clipse, também começaram a aparecer nas rimas de Weezy, mas a mudança não foi apenas musical.

No mesmo ano, o vídeo de “Hustler Muzik” foi lançado, e Wayne apareceu com uma belíssima jaqueta da BAPE. A marca japonesa foi popularizada no meio da última década por Pharrell e pelos caras do Clipse. No mesmo ano, Wayne apareceu em uma edição da VIBE Magazine com roupas da marca. E as acusações de roubo de estilo começaram…

Clipse e Pharrell lançam a música “Mr. Me Too”

“Os caras copiam o estilo desde os tênis até os relógios,” rima Malice na abertura de seu verso. O objetivo da faixa é claro: falar de quem copia o estilo do Clipse, seja na rima, ou na moda. A faixa fez um sucesso considerável na época e ficou mais famosa com o passar do tempo, principalmente após Lil’ Wayne e Pusha T resgatarem a treta.

Não tem nada na rádio como isso. Fala dos Senhores Eu Também do rap. Uma pessoa desse tipo é alguém que senta e examina todo o seu estilo e toma um pedaço dele,” falou Pusha T sobre a música para a MTV na época.

Ainda no disco Hell Hath No Fury, os rappers soltaram indiretas na música “Ain’t Cha“. Se aproveitando da situação referente a BAPE, cuja o mascote é um macaco, os caras do Clipse falaram que o cenário do rap na época era um episódio de Planeta dos Macacos devido tantas pessoas usando produtos da marca.

Lil’ Wayne e sua matéria de capa na Complex

Em 2006, Lil’ Wayne deu uma raivosa e polêmica entrevista para a Complex, quando foi capa da revista. Nas respostas, o rapper de Nova Orleans foi contra rappers de Jay-Z até Young Buck, mas o principal alvo foi a dupla da Virginia.

“Eu não vejo nada do Clipse. Você está falando com a merda de uma lenda aqui. Quantos anos esses caras estão na estrada? Quem diabos é Pharrell? Você realmente respeita ele? Esse mano usava BAPE e todo mundo achava que ele era estranho. Eu comecei a usar e vocês começaram a achar foda. Por que eu tenho que ir em uma loja de roupas e pedir por peças que eu gosto mas que não posso comprar pois outros rappers já usaram elas?” disse Wayne em um polêmico trecho da entrevista.

“Você não pode beijar outro homem na boca, você não pode copiar estilos. Você não pode copiar estilo de todos. Você não pode tentar rimar como Jay-Z, se vestir como o Clipse, se tornar um vendedor de cocaína após 5 discos, e agora se vestir como Jim Jones. Você não pode fazer tudo isso e ser uma lenda. Você tem que lançar tendências e ele não está fazendo nada disso,” respondeu Pusha T meses depois em entrevista.

Clipse manda indiretas para Wayne em “Re-Up Gang Intro”

Em 2008, a dupla lançou a mixtape We Got It 4 Cheap Vol. 3. Nela, a música “Re-Up Gang Intro” fala sobre Wayne indiretamente:

“Desculpe, mas eu não respeito quem vocês aplaudem. Flow de garoto pequeno, mas as metáforas dele são chatas… Não me faça tornar a garotinha do papai em orfã. Isso significa que eu vou ter que matar um bebê (Baby é o apelido de Birdman) como um aborto.”

Primeira fase da treta chegando ao fim: Lil Wayne e Pusha T fazendo “as pazes”

Durante um show em sua cidade natal, Lil’ Wayne é visto usando uma peça da marca do Clipse, a Play Cloth. O show foi em 2009.

Desde entáo, até 2011, nenhum outro pronunciamento sobre a treta aconteceu. Nem sequer novas indiretas. Em 2010, Lil’ Wayne foi preso, sendo liberado em 2011. Nesse não, Pusha T liberou o EP Fear of God e na música “Open Your Eyes“, mandou um salve para Lil’ Wayne, o parabenizando por ter saído da cadeia.

Em entrevista para a Complex, ele revelou que a treta dos dois havia acabado. “Desde que Lil Wayne foi para a cadeia, aquela parada toda entre nós realmente morreu e passamos por cima. Eu não tenho mais nada para falar contra Wayne, Cash Money, ou qualquer um deles. Aquilo foi definitivamente apenas uma fase que eu me sentia de certa forma sobre ele, mas agora não é assim. Eu não gosto nem de falar disso. Eu parabenizei o Wayne por sair da cadeia. Quando vi ele em Miami, fiz o mesmo.”

Pusha T lança o freestyle “Don’t Fuck With Me” e manda possíveis indiretas para Drake

Rimando sobre o instrumental da música “Dreams Money Can Buy” de Drake, Pusha T soltou certas linhas que muitos dizem ser para o canadense.

“Rappers em seu segundo ano agindo como se fossem grandes chefe / Fama é uma coisa louca, vou te dizer / Quando  os manos começam a acreditar todos eles se repetem,” rima Pusha T.

Pusha T lança a cruel “Exodus 23:1”

Coincidentemente, “Exodus 23:1″ foi lançada em Maio de 2012, assim como “The Story of Adidon“, lançada nessa semana.

Em “Exodus 23:1” joga a lenha necessária para reativar a treta de anos entre ele e Cash Money Records, mas nela temos um novo alvo: Drake.

Pusha T não solta nomes nessa faixa, mas todas as linhas são claríssimas. O rapper questiona a “gangueragem” de Lil’ Wayne, os contratos da Cash Money, e diversos momentos da carreira de Drake.

Exodus 23:1” tem produção de The Dream, que também faz o refrão da música. O cantor teve argumentos com Lil’ Wayne em determinado momento da sua carreira devido o rapper de Nova Orleans ter um filho com Nivea, que também tem um filho com Dream.

Lil’ Wayne respondeu de maneira simples em seu Twitter:

Esse tweet de Wayne é também a primeira linha da fraquíssima resposta do rapper na música “Goulish“.

Drake responde subliminarmente em “Tuscan Leather”

“Sou tão famoso quanto meu mentor / Mas ele ainda é o chefe, não quero passar ele / Rimar nas músicas e pular na frente de uma bala, você não foi feito para isso,” rima Drake. Em outro momento da música Drake rima: “Jogadores reserva falando como se fossem titulares, odeio isso”.

Essa resposta foi devido a pequenas indiretas de Pusha T na música “Your Favorite Rapper”, de Alley Boy, a qual participou na época.

Meek Mill acusa Drake de usar ghostwriters em “R.I.C.O.”

Depois de gravarem juntos algumas vezes, e Drake participar da música “R.I.C.O.” do disco Dreams Worth More Than Money, de Meek Mill, o rapper da Filadélfia e seu staff descobriram que o canadense não escreveu seu álbum na música, assim, Drake não estava promovendo o projeto de Meek.

Quentin Miller foi colocado como o ghostwriter de Drake. A trega gerou duas diss tracks da parte de Drake, “Charged Up” e “Back to Back“, e uma por parte de Meek Mill, “Wanna Know“.

Sobre a polêmica de ghostwriters, Drake não se mostrou envergonhado e disse que “música pode ser um processo colaborativo”.

Pusha T ataca Drake em “H.G.T.V Freestyle”

Um ano depois da polêmica do ghostwriter entre Drake e Meek Mill, Pusha T volta a atacar o rapper canadense. Dessa vez, com mais argumentos ainda. No freestyle “H.G.T.V.“, o ele ataca de maneira subliminar o seu rival:

“Já faz bastante tempo que o mais real não é real / Andei entre as nuvens então seu teto não é real / Esses manos jogam Call of Duty pois eles não matam de verdade / Com uma caneta questionável a sensação não é real,” rima Pusha T fazendo referência a mixtape de 2009 de Drake, So Far Gone, e reativando as acusações dos ghostwriters.

“Two Birds, One Stone” é mais uma resposta de Drake pra Pusha T

2017 foi o ano que a treta mais esquentou. Drake lançou o projeto More Life com a música “Two Birds, One Stone“, que tem ataques diretos ao rapper Pusha T.

“É você realmente com essas histórias de traficante / Isso tem de parar / Você fez alguns corres e acha que é o Chapo / Você é a merda do intermediário, garoto, você nunca foi esses caras,” rima Drake sobre o passado de Pusha T como traficante de drogas na Virginia, assunto que permeia as rimas do rapper. “Você vai tentar vender essa merda de história pelo resto de sua vida,” completou.

O título da música fala de “derrubar dois pássaros com uma pedra“. Na música, outras indiretas indicam que o rapper canadense pode estar falando de Kid Cudi, que na época, havia falado algumas críticas para Drake em seu twitter.

Tá pegando fogo bicho! Drake e Pusha T voltam com a treta com máxima potência

No último dia 25, Pusha T lançou o seu terceiro álbum solo, DAYTONA, produzido inteiramente por Kanye West. Na última faixa, “Infrared“, Pusha T rima: “Foi escrito como Nas, mas vem direto do Quentin,” fazendo referência a Quentin Miller, ghostwriter de Drake.

Em questão de tempo, Drake respondeu com a música “Duppy Freestyle“, provavelmente sua música mais direta sobre a situação com Pusha T.

Drake foi bastante direto nas letras, falando sobre assuntos como quando Kanye West o chamou para ajudar escrever “Father Stretch My Hands” e “30 Hours“. O rapper falou também de quando comprou um microfone autografado de Pusha T, e disse que “a assinatura dele sumiu do microfone como o rapper está sumindo do cenário.”

Em seu Instagram, Drake ainda postou uma fatura por “ajudar na promoção da carreira de Pusha T” e por trazer a carreira do rapper novamente à tona.

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Dias depois, Pusha T apareceu com a cruel “The Story Of Adidon“, que em sua capa, usa um jovem Drake usando blackface – o canadense respondeu que a foto vem de um ensaio feito por ele para uma campanha contra o racismo.

Em “Adidon“, Pusha T ataca alguns pontos fortíssimos da carreira e vida pessoal de Drake: seu contrato com Birdman, casamento fracassado de seus pais, um suposto filho que Drake tem com uma atriz pornô, e a doença crônica do produtor 40 Shebib.

Escrevemos no site um pouco sobre como essa diss toca em alguns assuntos bastante pesados da vida do rapper canadense, mas mesmo assim, ela pega todas as indiretas e ofensas trocadas anteriormente pelos dois rappers e as jogam no lixo, iniciando assim um outro capítulo da treta entre Pusha T e Drake. Um capítulo onde as ofensas mais diretas e cruas serão mais frequentes.

Essa é uma das tretas mais confusas da história do hip-hop, começando por pessoas diferentes e se alastrando pelos últimos 10 anos no cenário do hip-hop. Mesmo assim, ela parece mais acesa do que nunca, e nós podemos esperar que mais coisas estão para vir.

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Jhonatan Rodrigues

Jhonatan Rodrigues

Fundador do Raplogia em 2011, Joe é fã incondicional de Nas, futebol, cinema e séries de TV. Se apaixonou pelo hip-hop graças aos filmes sobre a cultura e escreve há 7 anos sobre o assunto na internet. Já passou pelo Rapevolusom e foi um dos moderadores do Genius Brasil.

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